Não trabalhar é a melhor coisa que tem.
Allan Sieber entende da patifaria...
Ah, o dedo médio...
Já arrumei outro emprego. Pra você ver como é bom ser uma funcionária inteligente e poderosa, não é mesmo? Fiquei desempregada por exatos nove dias úteis. E o trabalho é bão. Aquele negócio: Não quis, tem quem queira.


Faz um beeem pro ego...
Fábula patife
Recebi esta pelo email. Sem power-point. Ótima:


"Todos os dias, a formiga chegava cedinho ao escritório e pegava duro no trabalho.
Era produtiva e feliz.

O gerente marimbondo estranhou a formiga trabalhar sem supervisão: Se ela era produtiva sem supervisão, seria ainda mais se fosse supervisionada. E colocou uma barata, que preparava belíssimos relatórios e tinha muita experiência como supervisora.

A primeira preocupação da barata foi a de padronizar o horário de entrada e saída da formiga.
Logo, a barata precisou de uma secretária para ajudar a preparar os relatórios e contratou também uma aranha para organizar os arquivos e controlar as ligações telefônicas.

O marimbondo ficou encantado com os relatórios da barata e pediu também gráficos com indicadores e análise das tendências que eram mostradas em reuniões. A barata, então, contratou uma mosca, e comprou um computador com impressora
colorida.

Logo, a formiga produtiva e feliz, começou a se lamentar de toda aquela movimentação de papéis e reuniões!
O marimbondo concluiu que era o momento de criar a função de gestor para a área onde a formiga produtiva e feliz, trabalhava. O cargo foi dado a uma cigarra, que mandou colocar carpete no seu escritório e comprar uma cadeira especial.
A nova gestora cigarra logo precisou de um computador e de uma assistente (sua assistente na empresa anterior) para ajudá-la a preparar um plano estratégico de melhorias e um controle do orçamento para a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava mais e cada dia se tornava mais chateada.

A cigarra, então, convenceu o gerente marimbondo, que era preciso fazer um estudo de clima.

Mas o marimbondo, ao rever as cifras, se deu conta de que a unidade na qual a formiga trabalhava já não rendia como antes e contratou a coruja, uma prestigiada consultora, muito famosa, para que fizesse um diagnóstico da situação.
A coruja permaneceu três meses nos escritórios e emitiu um volumoso relatório, com vários volumes que concluía: "Há muita gente nesta empresa".

E adivinha quem o marimbondo mandou demitir?

A formiga, claro, porque ela andava muito desmotivada e aborrecida.

Moral da história:

Tenho certeza que você está pensando: já vi esse filme em algum lugar!"
Não escrevi aqui, mas, há aproximadamente um mês, pedi demissão. Ah, coisa interessante. Foi a primeira vez na minha vida em tomei uma decisão assim, tão, uau, séria. Porque sempre foi tudo meio no automático: nascer, crescer, estudar, passar no vestibular, fazer faculdade, estudar mais, trabalhar com o primeiro contrato que pintou, essas coisas. Até o casamento caiu no meu colo, não pensei muito na coisa e tal. Daí, acaba contrato, começa contrato e, numa dessas, fui parar nesse tal lugar bisonho do qual tanto me queixo. Surreal desde o primeiro dia. Deixa os detalhes pra lá. O fato é que me aborreceram tanto que decidi que não, não, não, não quero me submter àquilo. Daí que pedi demissão. Pedi demissão no dia em que vieram me cobrar uma xaropada de horário - mas isso vai ficar pra outra hora também. O lance é que as pessoas, de um modo geral, adoecem, se aborrecem, endurecem por causa de trabalho, mas jamais se demitem. Eu sei que parece uma afronta sair dichavando trabalho num país com a taxa de desemprego medonha como o nosso. Porque aqui se pode ser fédaputa, nepotista-doméstico (ou seja, os que não empregam parentes, só amiguinhos, cumpadi e cumadi), mas não pode mandar o emprego se foder. Daí que, desde que pedi demissão, passaram a me tratar suuuper bem. Tipo "é doidinha, tadinha". Como se nunca tivessem me ouvido resmungar e pedir, diuturnamente, que me mudassem de área. Porque trabalhar com la vache era demais para meus pulmões, para meus rins, para minhas unhas e para meu hipotálamo. Tipo ficaram "surpresos". Ah, catar coquinho! Mas é que a funcionária padrão aqui nunca quis ser funcionária padrão. Não se candidatou à vaga para sê-lo. E acho que dono do meu trabalho sou eu, não o sistema e tal e coisa. Mas o impressionante é isso: você se demite e as pessoas ficam meiguinhas. Deve ser por medo. Porque são tão enquadrados, os pobres, que acham mooito absurdo você simplesmente se negar a aceitar qualquer tipo de tarefinha mongol por grana. Afe. E a curiosidade? Nooossa, é um tal de perguntar "pra onde você vai?", "Já arrumou alguma coisa?", "...e consultoria...?" que até me diverte. Enfim, uma merde. Daí que hoje não aguentei e abri mão dos meus últimos dois dias de aviso prévio. Procê ver o níver de desespero.
Não há limites para a patifaria:

agora roubaram minha estatueta de orixá...
Dialeto público-administrativo
Quando não me irrito, me divirto com os neologismos do serviço público. Toda repartição pública tem seus jargões. Assim, igual a gangue. Alguns são gerais da categoria, como "gestionar": "Temos que gestionar junto às prefeituras" ou "Vou ali no bloco K gestionar junto à equipe de aprovação de projetos". Tem os excessos excessivamente excessivos, tipo "Ah, então tá. Vou ali gestionar com o protocolo." Deu pra entender o que é "gestionar"? É conversar, acertar posições. Afe.

Tem os adjetivos preferidos também, claro. Como o tal do "pró-ativo". Sei que não é coisa exclusiva da administração pública, mas se apropriaram bem da coisa. Odeio esse papo de ser "pró-ativo". Ser pró-ativo é simplesmente não ser lambão e fazer o que tem que fazer, sem ficar pentelhando chefe por qualquer mudança de regência verbal no memorando. Pra quê o "pró", por sinal? Bastaria "ativo", não?

As particularidades de cada repartição pública são notáveis. No meu trabalho anterior os "gestores" (i.e. qualquer um) gostavam de inventar sufixos para além do significado da palavra. Como "culturalidade": "a aplicação da política pública para segmentos etnico-racias deve respeitar a culturalidade". Hein? Já não existe o substantivo CULTURA? E a tal "potencialidade"? "Deve-se levar em conta a potencialidade daquela comunidade". Ai, cacofônico, cafônico, doente. Conheço um termo no dicionário: Potencial. Pra quê mais que isso? Ah, é porque há mais poesia entre uma baia e outra do que imagina nossa vã objetividade.

Mas essa última, recente, fresquinha, surgida no seio desse meu emprego, é que mais me mata de vergonha: "Matricular-se". É assim: "Ah, o banco tal tem uma nova linha de crédito? Vou me matricular e informo os parceiros". Ou "Ah, você está com a mãe doente, né? Já estou matriculada nessa questão". É. "Matricular-se em algo" quer dizer "Informar-se de algo".
Bão mesmo é quando resolvem falar bonito:
"Vou estar me matriculando do assunto e torno a te ligar."
Afe.

Não é nem que eu reclame demais, seja ranzinza demais ou mimada demais. Tenho a mais clara certeza de que a estrutura institucional à minha volta é que é absurda demais. Imagine-se passando o dia inteiro numa salinha retangular tipo três metros por dois e meio. São quatro mesas, duas delas desocupadas, porque os estagiários, abençoados por sua condição de estudantes, simplesmente se mandaram. Sobram você e Jabba. Jabba fica conversando com você coisas absolutamente nonsense, enquanto você tenta se concentrar em algum projeto capenga sobre o qual esperam que você elabore uma nota técnica propondo soluções. Jabba pede coisas e pergunta coisas. Tudo absolutamente desconexo e desnecessário. Você já levou incenso e até uma estatueta de orixá para tentar se proteger e se acalmar. Você desce quatro andares para fumar de quarenta em quarenta minutos, para ver se reflete sobre a vida e evitar jogar um grampeador em Jabba. Você volta e Jabba pede para você revisar o email que ela levou toda uma manhã para escrever. Você revisa, volta para sua mesa e Jabba pergunta o que você está fazendo, se está fazendo a atividade blablusblablou. Você funga e pergunta o porquê da pergunta. Jabba fica meio quieta porque, para sobreviver, você dá uma de louca todos os dias e Jabba tem horror a barraco. Jabba pergunta se você recebeu o email sobre blablusblablou e pede para você mandar de volta para ela porque, segundo ela, a caixa de mensagens dela enlouqueceu e ela não consegue localizar a informação. (Peraí que eu ainda estou na parte da manhã!!!!!)
Chega a colega Burocra e te dá um pagão porque o ofício que você imprimiu para Jabba estava todo errado. Você tenta explicar que a culpa não é sua, mas desiste logo. O dia fica ainda mais bacana quando chega o amigo expert-turista-comedor-de-cogumelo. O cara diz claramente que lixo não causa doença, veja só. E você tem que trabalhar com ele!!! E ele vota no PSOL. (Ó, vou pular o resto do dia. Melhor, melhor) Daí, chega na hora de ir embora, Jabba espera você desligar o computador e dar "tchau" para pedir a você que encaminhe para ela outro email.
Aí você vai pra casa, dorme. No dia seguinte, tudo de novo.
E não ficar ranheta como?

Ontem escrevi uma nota técnica. O rascunho voltou com um elogio: "Ok. Muito bem feita!". Tirei 10 em burocracia!!!

Guardei na gaveta. Vou mandar emoldurar.
humanamente impossível
24 horas tem o dia
- 8 horas de trabalho semi-escravo
- 1 hora para deslocar-se até o trabalho e retornar para casa
- 2 horas de almoço no ambiente de trabalho
- 0,3 hora de banho para ir para o trabalho e no retorno, para tirar o pó de escritório
- 8 horas de sono
--------------------
= 5:30 horas para viver o resto do dia.

Agora pense: cinco horas e meia para pagar contas, organizar casa, ler, tomar cerveja...
Tá lascado...
Nova diretriz
Porque eu odeio muito meu trabalho
Porque eu penso em me demitir todos os dias
Porque eu trabalho cinco dias por semana
Porque eu trabalho oito horas por dia
Porque nessas horas todas de trabalho eu só faço reclamar
Porque eu não consigo mais tirar humor daquela merda
Porque eu achava que fazendo humor eu iria conseguir suportar o trabalho
Porque eu descobri que o humor é coisa muito sutil, que não emerge naturalmente de situações estressantes
Porque eu estou de saco cheio de regras,
resolvi que este blog não será mais exclusivo sobre situação de trabalho.
Vou falar de qualquer merda. Inclusive do trabalho.
Porque essa funcionária aqui simplesmente surtou.
Pelo bem geral da nação
Você vê que o problema não é com você quando os dois estagiários se demitem na mesma semana...
Nota de Indignação nº1

O restaurante do trabalho

Aqui no trabalho tem um restaurante. Aliás, em quase todos os prédios do quarteirão onde trabalho tem (os prédios são chamados de "blocos", o que muito me estranha, porque todos os prédios, que são ministérios, têm nomes. Daí que é mais fácil saber onde fica o Ministério da Saúde do que o "Bloco G". Até eu fazer as contas de quantos blocos tem pra cada lado da rua, morri de fome).

As pessoas combinam de comer ou no Bloco C ou no Bloco G. Todo mundo despreza o restaurante do Bloco A. Porque ele é ruim mesmo. Eu como lá direto, porque sempre tem lugar pra sentar e é melhor iluminado, razoavelmente decorado. Uma vez, encontrei uma lagartinha no alface. Devolvi o prato, jurei nunca mais comer lá, mas acabei voltando (não pego mais as folhas, claro. Antes um verminho cozido e picadinho, não?).

Mas o que me indigna não é a superlotação ou a precariedade do cardápio dos restaurantes disponíveis para almoço onde trabalho. É o modo como parecem estar prestando um favor aos clientes. Em primeiro lugar, os funcionários são, invariavelmente, mal-humorados. Tratam a galera como se realmente não tivessem outra possibilidade de encher o bucho durante o horário de almoço. Cliente não existe; existe é "servidor". Daí fazem o tal negócio que me deixa horrorizada: tem uns cartazinhos espalhados pelo restaurante explicando como o "servidor" deve se comportar ao servir seu prato no self-service! Tem um assim: "Prenda o cabelo ao servir-se". Outro diz "Favor não degustar enquanto se serve". Como assim? As pessoas costumam fazer isso? Por que não tem essas plaquinhas toscas em outros restaurantes? Imagine-se indo se servir no buffet do Carpe Diem e encontrar uma folhinha de papel xamex te orientando a prender o cabelo!? Inimaginável, né não? Mas o ambiente de trabalho tem que ser assim: enquadrante, humilhante, rebaixante.

Degradante. Típico do sistema de trabalho público.
Morro de raiva. Um dia ainda jogo um tufo de cabelo na bandeija de soja.

Sabe o que tinha como opção de carne hoje lá No-do-Bloco-A? Tinha uma carne moída com chuchu que chamam de "Silveirinha" (!) e a delícia das delícias: salsicha com ovo (!!!!). Outro dia comi no prédio do MEC. Não sei qual bloco E, mas a gente entra pelos fundos, descendo para os anexos (na área da garagem). Não vi plaquinha por lá. A comida era melhor, o ambiente, mais bonitinho.

Ah, tem mais uma coisa. Inventaram um tal de buffet de massas. A galera acha mais chique. Ficam os macarrões super cozidos lá e algumas opções de coisinhas para montar molho. Olho pro lado e vejo os super molhos que as pessoas montam: coisa como salsicha, bacon, molho "vermelho" e molho branco. Tudo junto.

 

EM n° 001/2006 - MPP

Brasília, 09 de junho de 2006

Excelentíssimo Senhor Presidente do Fórum Brasileiro de Patifaria,

Cumprimentando-o cordialmente, venho através desta Exposição de Motivos justificar a necessidade de alterar o som do carro desta Funcionária para um toca-cds. Informo que, atualmente, tal Funcionária dispõe de um toca-fitas da marca "Blaupunkt". Diuturnamente, esta Funcionária transpõe os 32 quilômetros que separam sua residência do honroso local de trabalho ouvindo canções. Tal hábito, além de estimular a criatividade, proporciona o relaxamento necessário para abstrair do choque de sair de sua casa e rumar para um ambiente relativamente hostil e desconfortável.

Informo que, apesar de todo esforço, a desagradabilidade do ambiente de trabalho e do trabalho propriamente dito não permite que esta Funcionária memorize as canções gravadas no lado "A" da fita. Porque o lado "A" da fita corresponde exatamente ao tempo de percurso entre sua moradia e o escritório. A Funcionária encontra-se em estado de angústia e desgosto tal que passa todo o percurso queixando-se, praguejando e desesperadamente matutando alternativas de trabalho, de tal modo que fica impossibilitade de fruir as melodias do lado "A" da fita.

Cumpre informar que as canções do lado "B" da fita, ouvidas durante o percurso de retorno ao conforto doméstico são prestigiadas por esta Funcionária. Durante o retorno do espaço laboral, esta Funcionária canta e até (quase) dança ao som das canções do lado "B". Porque o retorno é sempre mais feliz.

Diante de tais motivos e considerando a difuculdade desta Funcionária em conseguir um outro emprego em breve tempo, exponho as razões para levantar subsídios para a compra de aparelho de cd para o veículo da Funcionária. Tais subsídios serão levantados via "vaquinha". Assim esta Funcionária poderá conhecer as músicas do lado "A" da fita, quando transpostas para o suporte midiático conveniente, e cumprir o dever cívico de assistir à Pátria com seu labor.

Respeitosamente,

Funcionária Padrão

Ofício 01 GAB/DPP
Prezados Senhores,

1. Em referência à solicitação informal de subsídios, oriunda do Núcleo de Defesa da Patifaria, informo a criação de um espaço público para divulgação dos encaminhamentos deste Departamento de Protocolo da Patifaria.

2. O espaço funcionará no seguinte endereço: http://memorando.zip.net. Tal servidor foi escolhido mediante licitação pública.

3.O conteúdo a ser divulgado no blog em anexo deverá ser de inteira responsabilidade desta Funcionária Padrão. Esta poderá, no entanto, contar com a colaboração de outros funcionários padrão, bem como de personalidades afeitas aos estatutos da Patifaria Protocolada.

4. Informo ainda que os temas a serem abordados serão de caráter semi-ficcional e que melindres advindos de servidores não-conscios do submundo patife serão devidamente sacaneados.

Atenciosamente,

Funcionária Padrão
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